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Processo TO - 2 de Abril, 2024

#285 |ARTIGO| Avaliação de Integração Sensorial na Primeira Infância: Uma Revisão Sistemática para Identificar Ferramentas Compatíveis com a Abordagem Centrada na Família e Rotinas Diárias.

  • Nome do artigo: Assessment of Sensory Integration in Early Childhood: A Systematic Review to Identify Tools Compatible with Family-Centred Approach and Daily Routines
     
    Área de ocupação: Processo de TO
     
    Citação: Lucas, C. C., Pereira, A. P. da S., Almeida, L. da S., & Beaudry-Bellefeuille, I. (2023). Assessment of Sensory Integration in Early Childhood: A Systematic Review to Identify Tools Compatible with Family-Centred Approach and Daily Routines. Journal of Occupational Therapy Schools & Early Intervention. https://doi.org/10.1080/19411243.2023.2203418
  • Resumo

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  • Esta revisão sistemática tem como principal objetivo verificar se as ferramentas projetadas para avaliar construtos de Integração Sensorial de Ayres levam em consideração os princípios básicos das abordagens atuais de intervenção na primeira infância, nomeadamente a abordagem centrada na família, rotinas da criança e família e contextos naturais. Este estudo baseou-se num protocolo padrão conforme o Preferred Reporting Items for Systematic Reviews (PRISMA) e incluiu 323 publicações. Das publicações, foram identificados sete instrumentos de avaliação de integração sensorial para crianças até aos 6 anos de idade, que são compatíveis com a prática recomendada de intervenção precoce. O estudo identificou instrumentos para avaliação da integração sensorial em crianças pequenas e relacionou-os com os princípios atuais das abordagens da primeira infância. Os resultados podem ajudar os investigadores e clínicos a escolher instrumentos.
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  • Principais resultados:

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  • Os resultados do estudo indicam que foram identificados sete instrumentos de avaliação da integração sensorial para crianças até aos 6 anos de idade. Estes instrumentos são considerados compatíveis com a abordagem centrada na família e as rotinas diárias, o que os torna adequados para serem usados em contextos de intervenção precoce na primeira infância.
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  • Estas ferramentas incluem:
  • – SPM (Medida de Processamento Sensorial): Avalia a resposta da criança a experiências sensoriais dentro do contexto das atividades diárias.
  • – SP (Perfil Sensorial): Similar ao SPM, foca nas respostas sensoriais da criança em contextos diários.
  • – P-SEQ (Questionário de Participação e Ambiente Sensorial): Avalia como o ambiente sensorial afeta a participação da criança em atividades diárias.
  • – SEQ (Questionário de Experiências Sensoriais): Concentra-se nas experiências sensoriais da criança e sua frequência.
  • – SPSI (Inventário da Escala de Processamento Sensorial): Outra ferramenta para avaliar a resposta sensorial em atividades quotidianas. Questionário de Perfil de Hábitos Sanitários Revisto
  • – THPQ-R (Questionário do Perfil de Hábitos de Uso do Banheiro/WC – Revisto): Avalia as respostas sensoriais relacionadas ao uso do banheiro.
  • – SRS (Escala de Avaliação Sensorial): Foca na hiper-reatividade sensorial em situações diárias.
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  • Estas ferramentas foram selecionadas pela sua capacidade de avaliar as respostas das crianças a experiências sensoriais no contexto das suas atividades de vida diária. São avaliadas com base na frequência do comportamento, utilizando uma escala Likert de 4 ou 5 pontos (para SPM, SP, P-SEQ, SEQ, e SRS) ou um sistema de pontuação binário (para THPQ-R e SPSI)​
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  • Implicações para a prática

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  • Os resultados deste estudo apresentam diversas implicações significativas para a prática de terapia ocupacional (TO), especialmente no âmbito da avaliação e intervenção em questões de integração sensorial (IS) em crianças pequenas:
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  • – Promoção da Participação em Ocupações Diárias: A terapia ocupacional tem como objetivo promover a participação nas ocupações diárias. A utilização de ferramentas de avaliação de IS oferece informações precisas sobre as preferências e tolerância das crianças a diferentes atividades, interações e estímulos ambientais relacionados com a integração de inputs sensoriais (como os vestibulares, táteis, propriocetivos e visuais). Estas informações são vitais para os terapeutas ocupacionais especializados em ASI® ao planear intervenções que visam os desafios enfrentados pelas crianças e as suas famílias nas rotinas diárias.
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  • – Necessidade de Ferramentas Específicas para a Exploração da Participação Diária: Existe uma necessidade de ferramentas adicionais, desenhadas especificamente para explorar a participação diária das crianças e das suas famílias do ponto de vista da ASI®, para documentar de forma mais eficaz os desafios da vida diária e as possíveis ligações com questões sensoriais subjacentes. Isto facilitaria a direção das intervenções mais eficazes e centradas no cliente, com foco na funcionalidade em contextos naturais e nas prioridades de participação do cliente.
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  • – Integração de Avaliações Centradas na Família e em Contextos Naturais: Os questionários para cuidadores surgem como ferramentas de avaliação clínicas valiosas, uma vez que fornecem informações importantes sobre o comportamento da criança em diversos contextos e em diferentes momentos da rotina diária. As ferramentas identificadas nesta revisão envolvem os cuidadores no processo de avaliação, ajudando a recolher informações sobre o desempenho da criança em contextos naturais para identificar fatores que dificultam a participação bem-sucedida da criança nas atividades diárias.
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  • – Abordagens combinadas de Avaliação e Intervenção: A prática de TO baseada na ASI® considera tanto as questões sensoriais subjacentes como os desafios de participação diária em todos os níveis do processo de intervenção (avaliação, raciocínio clínico, definição de objetivos, planeamento de intervenção, intervenção direta, adaptações às rotinas diárias, etc.). Isto sublinha a importância de combinar abordagens de avaliação e intervenção de bottom-up, focadas na análise das competências ao nível do corpo e da função, com abordagens de top-down, focadas na atividade e participação.
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  • Em resumo, a identificação de ferramentas de avaliação que consideram a abordagem centrada na família, as rotinas diárias das crianças e os contextos naturais, reforça a necessidade de uma prática de TO que apoie a participação das crianças em atividades da vida diária, integrando intervenções que abordem tanto os componentes sensoriais subjacentes quanto os desafios à participação.
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  • Limitações

  • As limitações deste estudo incluem:
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  • Restrição do Idioma: A revisão sistemática foi limitada a estudos publicados em inglês, português e espanhol. Isso significa que potenciais ferramentas de avaliação relevantes publicadas noutras línguas podem não ter sido incluídas na análise.
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  • Estratégias de Pesquisa e Critérios de Inclusão: As ferramentas utilizadas em estudos que não se encaixavam dentro das estratégias de pesquisa definidas ou dos critérios de inclusão estabelecidos pela revisão não foram incluídas.

 

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